sábado, 26 de setembro de 2009


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"Vem logo, que o tempo voa assim
como eu quando penso em você ..."
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sábado, 22 de agosto de 2009

e sobretudo, confesso

Perdi a paciência de escrever poesia.
To de prosa em prosa catando versos caídos
No chão, atrás das portas.
Alimento meu silêncio
Alimentando ar suspenso,
Tudo porque sinto tanto.
Ouço sobre amor e me gasto.
Tanta felicidade repentina, estranho.
Deve ser daquelas infelicidades,

guardadas debaixo de pratos quentes
De sopas de letras escrevendo textos,

em prosa, compasso, e verso
Ouço sobre amor e me calo.
Sentimentos correm por mim,

são só fortes flashs
Amargo sentimento
Retardo constrangimento
Mas se ousar um tanto soltar o ar
Mas se ousar, fingimento.
Ouço sobre amor e me fecho.
Ouço sobre a dor e falo.
E sobretudo, ainda confesso.

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Claudilene Neves
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quarta-feira, 22 de julho de 2009

de fato e de ato

Porque começo pelos pés a deslizar os versos absurdos
Abruptos, de cara lavada.
Mede, remede, merthiolate na pele, que arde por tudo
Que cala por cima das vontades
Se vou por aqui, saio de lá.
Se venho de lá, passo pra cá, injuriada,
Jogada de poso e passo, a cada desgasto que posso ter.
As cores, uma ilusão. A cada som, solidão.
Porque se pelo compasso da roda do samba me desfaço,
no som do suspiro me declino sobre o que posso ser!
Se quem nunca fui passa a ser quem sou, me duvido,
remedio uma cura, tento, atento pra tudo

que traga ao meu redor.
Poema, dor, serena.
De resto é fato e ato,

uma atriz no palco, a dor de um escritor!
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Claudilene Neves

quinta-feira, 9 de julho de 2009

é de bem ou de maU?

Bem que me pediram pra deixar aberta, ou entreaberta que fosse, a janela,
o sussurro da palavra, o suspiro gasto, meu sonho devasso.
Bem que me advertiram sonhar, semear noções das sensações de tempo e espaços,
Bem que desejaram que eu ficasse perdida ou desorientada
de mim, aqui prum lado desconhecido, de um pedaço da mente,
que eu ficasse descrente só por mais um segundo.
Bem que me fizeram escrever poesia com as palavras bagunçadas
e bem como disseram que já não sei se me afeto tanto
por excesso do fato ou do afeto, ou pela cerveja que esquenta
toda vez que penso no tom, ou pelo café que esfria toda
vez que escrevo sobre ti. Já me perco se derrubo em fatos
os teus atos mais bruscos, me interpreto, e me projeto da maneira
com eu possa desvencilhar das coisas que fui,
das coisas que sou, das coisas que jamais serei.
Bem que me olham, e não aceitam as minhas condições
Bem que me despejam e não aceitam meus refrões
Bem que avisaram, que de previsto, só minha imprevisão.

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Claudilene N.
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domingo, 19 de abril de 2009

k-d

O que aconteceu nas últimas instâncias, nas roupas trocadas, nos discos quebrados, nos móveis mudados de lugar, teria que articular os pensamentos: mão na palma, no céu da boca, no que é de gosto, no que é de gasto, no que é de desgosto, no amargo da saliva, no sorriso contido, na história contada.
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som, cadê você?
gosto, cadê você?
suspiro, cadê você?
sonho, cadê você?
eu, cadê, ...

Claudilene N.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

eu não escrevo poesia

Quando eu escrever poesia
Quero que tenha tino
Que tenha esperteza, distreza
Consumada, perversa, passada
Quero uma fase, melhor pra se distinguir
Quero uma nova capa, quero uma nova arma
Quero um novo elo, quero tocar meu ego,
De perto, de fato, de forma que eu sinta
O castigo que é não reconhecer-me enquanto escrevo
Que é não te ver, enquanto não te desejo
Pra dor, merthiolate
Te mando logo pra marte que já
é mesmo pra não te olhar de novo
E você me premia me colocando na estante
Me passa segurança, me chama de criança,
e fico aqui, sangrando o tédio a estanque.
/
Claudilene Neves

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

"meu sumiço é covarde, mas é atento, meio fajuto, meio autêntico. sumi, porque sumir é um jogo de paciência, ausentar-me é risco e sapiência, pareço desinteressado, mas sumi para estar sempre do teu lado, a saudade fará mais por nós dois do que nosso amor e sua desajeitada e irrefletida permanência(...)"

Vinícius de Moraes

tá bordado.

Tem um soluço preso na garganta
Assim como um instinto desgarrado
Uma vontade de um anonimato presente e passado
Existe solos de solitude,
E existe a solução do desejo
Um pedido do tamanho da culpa
Uma culpa sem dono,
Num trono, sugo a idéia de
que deva ser e do que foi
Na realidade fui mais do que pude ser,
Na realidade sou exatamente o que posso ser
Aprende menina, que certas coisas é de vida
E que certas é de sofrer.
Borda menina, riscos que é de se bordar
Fala menina, e aprende
que certos é de se correr
Abra os olhos menina,
tem certas coisas que é de se fazer,
Mas há certas outras menina, que é só de viver.
É menina, certas e tantas outras
a gente nem vai querer saber
Sem rima, nem clima,
Sem rima, na cama vazia,
num canto do quarto, sem luz, sem som, sem luar, sem café,
sem Vinicíus, nem Lou Salomé.
/
Claudilene Neves

É! Fevereiro de 2000 e nove

Não me acho uma pessoa muito mais interessante, e talvez seja daí a origem do meu cansaço. Sabe aquele espaço agora que vive sem entrelinhas? To assim, mediante à pequenas frases, a contextos com analogias, que vão e vem, assim como um círculo, que dançam no meio das minhas fases, muito bem definidas. Digito rápido, porque de repente se elaboro demais, esqueço. De repente, se elaboro demais mudo de idéia. Depois que aceitei que certas coisas acabaram, depois que aceitei que certas coisas mudaram, e depois que aceitei algumas coisas, e agora, estou atrasada? Adiantada, talvez. E aonde parou o relógio parado? Meus textos imensos, as minhas alegrias, meu existencialismo de madrugada, um café barato, “o começo de tudo”, onde mora meu passado se não no futuro? Onde eu moro além de mim? (eu, eu eu, eu) sempre eu. Meu texto, meu. Minha frase, eu. Minha história e eu, eu, eu, eu, ... e se eu fugisse, mudasse de lugar desesperadamente pra desencontrar de mim? Quebrei tantos espelhos. As máscaras dão a liberdade – seja nesses dias o que jamais você poderá ser. Seja nesses dias quem realmente é.
Seja nesses dias qualquer coisa que não é.
Já não sei mais, de onde é a origem da palavra.
Já não sei qual é espaço que da origem ao meu cansaço.
As fotos, alguns não estão. Nas fotos, o olhar mudou.
As fotos, algumas na parede, rasgou.
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Claudilene Neves

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

dois mil inove



Feliz Ano TODO

É preciso desejar, porque é do desejo que nasce a verdade.
A verdade das coisas que se fez, ou a necessidade de consertá-las. É necessário discernimento pra escolher o que quer e não quer, talvez o primeiro seja mais complicado que o segundo. De fato nós mudamos, ao longo do ano, dos 12 meses que se passaram. O tempo foi criado pra organização do mundo, mas há algo mais divino nisso tudo, é como uma recompensa de um ano todo, ter um ano novo, já que é assim pros que querem e acreditam, deixe valer a pena.
O buraco é bem mais embaixo. É algo mais mental do que espacial. De repente fazer uma virada de ano no meio de maio, o que importa é o que você realmente deseja. Claro que não é só desejar, não se deixe levar tão fácil por essas teorias, não espere que as coisas caiam em suas mãos, elas não vão cair, vão resistir aguardando tua vinda. E pra quem só espera, as coisas caem é sobre a cabeça.
Sorrir, chorar, ganhar aquela promoção no emprego, ou ganhar o sorriso de uma criança na rua, você vai fazer o bem, e o mal, vai se arrepender de algumas coisas, e vai desejar não se arrepender de nada. Vai sonhar dormindo e acordado, alguns dejá vus poderão deixar marcas, vai retornar a velha caixa de coisinhas guardadas, vai querer mudar de emprego, vai entender que é só uma crise, vai olhar pro céu e pedir chuva, e quando chegar o inverno vai desejar uma bela xícara de chocolate quente. Terá vontade de ser criança novamente, e ficará firme como uma roxa, e dizer pra si mesmo: sou grande o suficiente pra saber o que estou fazendo. Sentirá saudades de casa, e ligar pra alguém sorrindo ou chorando dizendo que já não sabe o que fazer, minutos depois vai descobrir o que fazer. Vai pedir um ano mais leve, vai sonhar algumas vezes com dias mais longos, vai querer que os dias passem rápido e não vai entender porque certas coisas acontecem com você.
Enfim, sorrir, chorar, limpar a caixa de e-mails, fazer amor ou guerra, você pode arrumar um novo namorado, ou casar esse ano, pode escolher ficar sozinho. Pode entrar pra uma faculdade, ou desistir de um curso, pode estar formado querer começar de novo, pode estar feliz incondicionalmente como está. O barco vai pra onde você rema. E mesmo que esteja sobre um palco, e as cortinas se abram, quem está na platéia faz parte de uma mesma peça. No final de tudo descobre-se que tudo liga-se a tudo, entre paradoxos e sinônimos, e quero-lhe dizer que o “deus que habita em mim, saúda o deus que habita em ti”, um feliz ano todo!

Claudilene Neves,FELIZ 2009 TODO!