7.4.10

[entre-espaço]

E foi quando ele parou de olhar, pos o livro sobre a mesa e continuou a beber na caneca, ficou por um tempo com a reação da overdose intelectual, interpessoal, que ficou desritimada dentro da cabeça. Respirou fundo, passou as mãos nos olhos, por baixo dos óculos, pensou em ir e ficar, em contar o que tinha acontecido, mas decidiu ir embora com a carona. Amarrou os cabelos, segurou os livros, beijou o rosto dela levemente, tocou os braços, segurou forte as mãos, e saiu pela porta da sala. Depois ela dividiu a vida em duas partes: na que ele a tocava nos braços, e na sombra dele saindo pela porta. Ela fechou os olhos e desejou com toda força que ali começasse um outro entre-espaço!


Claudilene Neves

Dos dias

Já não sei mais o que aconteceu com os dias, hoje mesmo era ontem (?) Isso às vezes complica não só o pensamento como sentimento também. Não sei mais para onde as coisas vão, porque vem, porque estão. Gostaria de segurar um pouco mais desse “sabor” no meu tato. Anda difícil engolir tudo assim, tão depressa, às vezes tão amargo.

O que fazer dos dias? Das histórias? Já não sei. Talvez lembrar do passado como passado, seja um bom começo. É que não ando conseguindo viver o amanhã sem pensar no “daqui uma semana”, ansiedade? Talvez. Engulo seco, e nessas alturas já “como” café. Não durmo. Quanta pressa. E depois eu penso, quanto lamento, quantas idas, voltas, quantas motivos e revoltas. Arde. Não sei se é da vida ou do vinho.

Esses giros, esses retornos. Quero olhar para o comando e dizer o que é de quem. Passar um pente fino nas minhas idéias. Chega de procurar lixo, eu já preciso de restauração. Está muito cedo e muito tarde, eu me perco. Duvido até das horas do relógio. Não me prendo, eu me abuso, bagunço dias e noites, as coisas estão fora do lugar.

Sei do lamento, da vida também sei. É inevitável, também sei. E sei que se não fosse da fé, já não sei mais então o que seria.


Claudilene Neves – 08/fev/08

acabei!

De fato caiu do chão.
Minhas entrelinhas, meus artefatos,
os meus textos contando com seus fatos,
De fato subiu do chão.
Meus suspiros, meus delírios,
minhas circunstâncias sutis contando todos os passos
De fato sumiu do nada
Tuas teses, teus termos, se eu ainda pudesse,
Eu pegaria do chão,
Terminaria com um refrão.

¬¬
Claudilene Neves

Fé, sem fé.

E como quem não quer nada, comecei a viver cada gesto e cada gasto, com muito gosto. E agora o que me segura é essa falta e esse tremor, numa mão cheia de esperanças, e na outra essa falta de fé. Me envergonho, é claro, mas é preciso peitar essa falta de coragem, recomeçar do tudo, fingindo que não é nada e confiando nessa mesma fé, nua, crua e gelada. Como se fosse suficiente em versos absurdos de desespero me calo, nesse sentido de falar pro mundo o que sinto quando olho pela janela do ônibus, prédios imensos, comparados a essa pequenês que não enxerga nada, diante de tudo que vejo por cima do muro. Não é fácil ter de lapidar os olhos, não é fácil ter de matar a criança, não é difícil sentir isso. E como quem não quer nada já começo pelo meio me despedindo do final. É fato que preciso de silêncio pra escrever e pra sonhar, não nego que preciso de barulho pra viver e pra fazer. É um desgasto, eu componho e confesso. Das mãos sob o teclado, de mãos atadas sob as pernas, carrego os sonhos no meu colo.
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Claudilene Neves

1.4.10

exibo.

Exibo. Ao que se refere aos partidos devagar e quase sempre, ando bem. Faz tempo, e faz outono lá fora, já demorava, mas parece que finalmente se aproxima e torna clara as minhas ideias, de saudade e ilusão. Não minto, me convenço que precisamos saber da diferença gritante de nós mesmos e dos nós dos outros, é preciso se restituir, estou convicta, fragmentada, de lá pra cá e vice e versa. E nem conto das xícaras de cafeínas, das nicotinas não acesas, das músicas não cantadas e dos quilos adquiridos. A pele está fria, arrepio, mas o sangue ferve de vontade de mudar o percurso das coisas, e a necessidade de dizer a elas que tudo se restringe ao tempo, mas que eu não me prendo, e já que essa se torna a verdade, faço desse passo compasso daqui pra frente, o fim é só o começo!
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Claudilene Neves

18.3.10

360°

a gente também aprende que é bom jogar o lixo acumulado fora.
tudo que guardamos talvez guardado dentro da gaveta da ilusão
de utilidade, de fato o ato não volta, e essa revolta que causa é
o cachorro que corre atrás do próprio rabo. as ruas sem saídas, ...
inventando dias pra finais de dias. momentos pra lamentos...
transformando dramas, em poesia...
360° sem fim... minhas músicas nem
sempre dizem de mim.
Me devora. Me canta. Me conta. Me [re]inventa?

Claudilene N.

"Aqueles que atravancaram meu caminho, eles passarão, eu, passarinho (...)"

17.3.10

cada parte da metade, mente.

De parte em parte na partitura, cada parte mente...
decifra sobre o que não queria na ultima inspiração.
Desacelera ação. Aciona um click, e logo se faz entretenimento.
Fico longe. Só por um momento. Me desperto.
É que o meu mundo fez todo o sentido.
Bem naquela hora, em que eu estava entertida.
Quem sabe não é só a não pré-ocupação?
De fato, é uma atração em série.
Rodando, só enquanto está viva.

Claudilene Neves

e se não me afeta, é fato.

minha carne não está disposta a tanto a quem,
a tanto nada, minha carne não está exposta pela dor
minha dor não suporta a cara no espelho
meu espelho não expõe o que não tem nele
eu não estou disposta a nenhum amor.
eu me nego ao que não me afeta.

em 21/10/07
Claudilene N.

mas é preciso"(...)"

"O som. A cor. O suor. A dose mais forte e lenta, de uma gente que ri, quando deve chorar, e não vive apenas, aguenta. Mas é preciso ter força, é preciso ter raça, é preciso ter sonho sempre, ... quem traz na pele essa marca, possui a estranha mania deter fé na vida!"

Milton

9.3.10

... Afinal, há é que ter paciência, dar tempo ao tempo, já devíamos ter aprendido, e de uma vez para sempre, que o destino tem de fazer muitos rodeios para chegar a qualquer parte (...)
:: Saramago
Deixe que eu desencaixe, e arrebente essa caixa de mensagens
e comece logo pelo começo.
Eu to de ordem pelas raízes entre bem e mal.
Eu te julgo, faço poema, corto o fato, num hábito absurdo
de querer entender o inatingível.
É perfeito: tão doce como amargo da língua,
é um defeito, tão feio como o temor
que sinto. Sinto muito.
Comecei pelo começo, arrependendo do final.
Já não me arrependo mais do final.
E são sempre cinco para as seis, ... e eu me sinto mais tarde,
é algo entre eu e o mundo, eu e eles, eu e deus.
Perco entre passado e futuro, mas já
me despeço com promessa,
afinal não vou estragar algo tão legal
deturpando a essência dele, com palavras erradas!

.
Claudilene Neves

25.1.10

Tô relendo minha lida, minha alma, meus amores!
Tô revendo minha vida,minha luta, meus valores!
Refazendo minhas forças, minhas fontes, meus favores!
Tô regando minhas folhas, minhas faces, minhas flores!
Tô limpando minha casa, minha cama, meu quartinho!
Tô soprando minha brasa, minha brisa, meu anjinho!
Tô bebendo minhas culpas, meu veneno, meu vinho!
Escrevendo minhas cartas, meu começo, meu caminho!
Estou podando meu jardim!
Estou cuidando bem de mim, ...
Vander Lee
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17.1.10

Se ela te fala assim, com tantos rodeios, é pra te seduzir e te ver buscando o sentido daquilo que você ouviria displicentemente.Se ela te fosse direta, você a rejeitaria... (É!)
Rodrigo Amarante

12.1.10


... um: 3 de um!

Só porque estou aqui e não me afastei deste mesmo lugar, tropeço nas palavras erradas, escritas de fins e começos e há tanto, penso, repenso e engasgo, agora um momento: de noite, o vento espero, por lá brilha a cidade em tédio, em passo, pego o compasso da dança, me engano e me deito sobre a leve intenção de esquecer, recomeço, me pego pensando de novo e não me perdôo, perco os escrúpulos, me despeço de tudo e me vejo em você, acho que ta indo, ta rindo, nem tudo são flores ...

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Claudilene N.

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de_

Não vou retribuir tantos suportes feitos, engasguei. Não vou sonhar com metas desfeitas, aplaudir espetáculos falidos, dizer que sim, nem admitir que não, não vou suspirar ou prender o ar. É preciso coragem, e é disso que se trata. Vai, o imperativo berra sem forçar: vai, vai, VAI! Seguir, prosseguir, direção. Um labirinto, um caminho, não aceito desistir, nem aceito aceitar. Vou aplaudir ao evitar, desistir de desistir, há tantas coisas, um bar, uma mesa, pessoas, ruídos, acordes mal feitos, gostos insuportáveis, sentimentos tão indesejados, você.

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Claudilene N.

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três, ...

Sei que prometi vantagens, sinto que menti, fiz sofrer um tanto, não me fiz daqui e dos desenganos, respirei fundo, e com a força da coragem entorpecida de desejo em prosseguir, sonhei, sofri, pensei. Portanto, somo tantos pontos e nos teus contos sempre encontro, cevada, risada, tragada de prosa e poesia tocada em bossa. Não peço, ou me despeço, só sei que nos meus desencontros, reflito sobre os santos e os demônios tão presentes na pele, de quando se sente o leve toque da dor, de que não se sabe, como foi, vai, e fica, de tudo se deixa à esmo, no meu choque, cantar, no meu sonho, amar, e no teu tino, desrritmar.
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Claudilene N.
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31.12.09

"(...) Claro que você não tem culpa, coração, caímos exatamente na mesma ratoeira, a única diferença é que você pensa que pode escapar, e eu quero chafurdar na dor deste ferro enfiado fundo na minha garganta seca que só umedece com vodka, me passa o cigarro, não, não estou desesperada, não mais do que sempre estive, nothing special, baby, não estou louca nem bêbada, estou é lúcida pra caralho e sei claramente que não tenho nenhuma saída, ah não se preocupe, meu bem, depois que você sair tomo banho frio, leite quente com mel de eucalipto, gin-seng e lexotan, depois deito, depois durmo, depois acordo e passo uma semana a ban-chá e arroz integral, absolutamente santa, absolutamente pura, absolutamente limpa, depois tomo outro porre, cheiro cinco gramas, bato o carro numa esquina ou ligo para o CVV às quatro da madrugada e alugo a cabeça dum panaca qualquer choramingando coisas do tipo preciso-tanto-de-uma-razão-para-viver-e-sei-que-esta-razão-só-está-dentro-de-mim-bababá-bababá, até o sol pintar atrás daqueles edifícios, não vou tomar nenhuma medida drástica, a não ser continuar, tem coisa mais destrutiva que insistir sem fé nenhuma?"
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Caio F. Abreu
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27.9.09


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"Vem logo, que o tempo voa assim
como eu quando penso em você ..."
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